Mar 29

O QUE É A MEDITAÇÃO

É aceitar o convite de conhecer o nosso mundo interior!

Definir a meditação é sempre um desafio, e digo isto porque, é um processo tão grandioso que defini-lo por palavras, nunca me parece ser o suficiente. Para além disso, é uma experiência tão pessoal e tão única, que não pode ser generalizada. E é por isso que costumo comparar a meditação à experiência do primeiro amor – muitas pessoas te podem falar do que sentem, dizer que é muito forte, mágico, arrebatador, mas na verdade, tu só vais saber o que é, quando fores tu a senti-lo, e quando esse amor acontecer tu não vais ter dúvidas que é amor – dentro de ti é uma certeza incontestável. E da mesma forma, assim o é com a meditação – quando tu entras neste estado, tu sabes que estás lá, não precisas que ninguém te confirme, sabes pura e simplesmente, que acedeste a uma parte de ti que não é palpável, que não é efémera e que não “limitada”. 

A meditação é o caminho de regresso a casa, uma prática tão simples, mas tão complexa, no que toca a tudo o que se pode ver, sentir e compreender.

Meditar é voltar toda a nossa atenção para dentro, é aceitar o convite de conhecer o nosso mundo interior, da mesma forma que temos a sede de explorar o mundo exterior. Sinto que através desta prática milenar, viajamos sem precisar de qualquer meio de transporte, e através dessa viagem conhecemos a nossa verdadeira natureza alargando assim, a nossa consciência para aquilo que é verdadeiro e realmente valioso para nós. Seja qual for a prática de meditação que o praticante escolha (existem vários tipos de meditação – ativa, passiva, mantra meditation, breathing meditation, vipassana, entre outras) o objetivo será sempre o mesmo – o de nos conduzir para dentro de nós, o de nos trazer a capacidade de silenciar o mundo exterior, silenciar a voz da mente para que seja possível ouvir a voz da alma. Meditar é uma ferramenta extraordinária para mergulhar no silêncio e através dele recebermos revelações preciosas, na verdade, o silêncio é o grande revelador, o grande mestre, através dele conseguimos ser em simultâneo ouvintes e conselheiros. E isto é conseguido através da meditação – a ponte mágica que nos conduz a casa. 

Quando as pessoas ouvem ou leem sobre meditação surge sempre a mesma questão – como faço para meditar?

É muito importante que a pessoa, antes de tentar meditar sozinha, aprenda com alguém as técnicas necessárias para efetivamente conseguir entrar num estágio de meditação. Tentar meditar sozinho, sem nada saber, pode conduzir o praticante a uma frustração desnecessária.

E aqui, neste campo, também gostaria de desmistificar a pergunta: o que vou sentir? Porque existe a crença de que quando meditamos ficamos num estado profundo de paz, de amor, mas a verdade é que a meditação vai ser sempre, aquilo que tu precisares que ela seja – se necessitares de te confrontar com uma ferida antiga, a meditação levar-te-à precisamente aí, não para que aumentes o sofrimento, e sim para que te libertes dele. Nestes casos, a pessoa pode sentir-se mexida, mas faz parte da cura que a meditação nos oferece – para sentir a plenitude, primeiro é necessário, aprender a sentir o vazio.

Respondendo então a ambas as perguntas: como faço para meditar e o que vou sentir; para começar a meditar procura um professor ou um bom livro, de forma a que realmente possas iniciar esta prática com o devido conhecimento. No que toca aquilo que vais sentir, desapega dessa expectativa, podemos sentir tudo, podemos não sentir nada, e seja aquilo que for, está sempre certo, pois tudo aquilo que vivencias é precisamente aquilo que tu precisas para concluir determinada aprendizagem. 

Concluo esta minha partilha sobre a meditação, referindo ainda, que esta prática é um verdadeiro presente que nos ensina a viver no presente – o único tempo onde a vida realmente acontece. Dentro de nós existe o poder da memória, que nos leva para o passado, e o poder da imaginação que nos conduz para o futuro – dois tempos que te tiram da vida que acontece agora neste preciso momento em que me lês.

A meditação é extraordinária porque te traz a consciência de estares aqui, agora, presente em ti, presente no teu mundo interno, presente no mundo externo, usufruindo de tudo o que a vida te dá neste preciso momento que acabou de acabar.

Rute Caldeira