Abr 26

DANÇANDO NA LIBERDADE DE SER

Quando dançamos, milhões de sensações e pensamentos afloram ao nosso ser!

Esta reflexão é sobre a liberdade de ser na dança, mas expande-se a todas as áreas da nossa vida!

Na dança a música transmite uma vibração que toca a nossa energia interna, as nossas memórias afetivas, ligadas a milhares de pensamentos e experiências vividas e, as emoções que são o material de construção do nosso corpo, sentem necessidade de se expressar, de ser colocadas em movimento!

O corpo urge por se expandir, por se sentir pleno, inteiro, entregue à vivência da experiência, sentindo prazer! É nessa rendição a esse momento de prazer no presente, que a magia da dança se dá, conectando corpo, mente e emoção! Tudo se expressa, experimenta e se integra, para transcender!

Por isso a dança é, desde sempre, uma poderosa ferramenta para aceder ao nosso mundo interior, de conectar, enraizar, de comunicar com a divindade e aceder à própria multidimensionalidade! Mas só, quando nos permitimos entregar, render e dançar na Liberdade do Ser!

Todos, de acordo com a nossa história, sentimos estes impulsos internos, esta necessidade de expressar a alma através do corpo! Mas, muitos estamos tão adormecidos, tão paralisados pelo medo da sobrevivência do corpo, tão identificados com as formas pensamento e pelos padrões emocionais, que vivemos em verdadeiras prisões não só físicas, mas também emocionais e mentais, esquecendo o ser ilimitado que somos!

O corpo desenvolve rigidez, reagimos em vez de agir e os pensamentos tornam-se tóxicos, enredando o ser ainda mais, nesta prisão imaginária.

E esses sintomas físicos, emocionais e mentais expressam-se na dança:

Quantos não paralisam no primeiro passo, achando que não são capazes, com medo de errar, sentindo-se diminuídos e que não são bons o suficiente?

Quantos não paralisam, com medo de estarem a ser observados e que os achem ridículos e estúpidos?

Quantos não paralisam perante o desafio, e se auto-sabotam dizendo que nunca vão conseguir, que tem 2 pés esquerdos ou que nunca tiveram jeito para dançar?

Quantos há até, que nunca se permitiram bater o pé ao ritmo da música ou se aventuraram no balançar do corpo ao som da melodia, por conta das crenças e preconceitos da família, sociedade, cultura, religião, julgando o corpo e a dança como impuros e vergonhosos?

Quantos dançam, mas que ao se compararem aos outros e, ao querer ser como eles, nunca se permitem a verdadeira liberdade de expressão e explorar o seu próprio potencial?

Quantos se julgam e criticam a si e aos outros quando dançam, cobrando da sua própria imperfeição?

Quantos dançam, mas se escondem na dependência das roupas, dos saltos, do cabelo e da maquilhagem, entregando-lhes todo o seu poder e convertendo a dança numa prisão e projeção do Ego, que luta a todo o custo, para esconder a verdadeira dor?

Quantos dançam, sem amar e aceitar o corpo, convertendo-o num campo de batalha permanente, na tentativa de o mudar?

Quantos dançam, enamorados do próprio Ego, da sua imagem, tentando segurar, controlar e manipular tudo e todos, nunca se permitindo libertar o verdadeiro prazer?

Quantos dançam…

Todas estas situações que referi em cima, são apenas alguns sintomas do nosso projeto humano em desenvolvimento! E não há julgamento, cada um, a seu tempo, fazendo o seu caminho de evolução e transformação!

Quando começamos a despertar a consciência e acionamos o observador consciente, que nos ajuda a distanciar e a não estar identificado com os nossos pensamentos e emoções, damo-nos conta que toda a dor e sofrimento que nos causamos, vem do mesmo lugar: da falta de amor e valor que sentimos por nós mesmos! Esta sensação de falta, limitação e separação faz com que busquemos este valor e amor no externo, cedendo todo o nosso poder interior.

Por isso buscamos o reconhecimento, queremos agradar, não sabemos impor limites e respeitar as nossas necessidades, queremos que nos amem, valorizem, ser perfeitos e especiais, queremos controlar tudo e todos, fazemo-nos de vítimas, manipulamos, não sabemos lidar com a frustração, criamos dependência e apego, colocamos máscara atrás de máscara, mentimos ao mundo e a nós mesmos, transformando a nossa vida numa verdadeira prisão, pois a cada dia que passa, nos afastamos mais de quem somos de verdade, a nossa essência!

Então, como podemos regressar à liberdade de Ser?

Como podemos transformar a nossa dança, de um lugar de contenção e prisão, para um lugar de expressão de prazer, liberdade e expansão do ser?

Esta é uma pergunta transversal a todas as áreas da vida e uma ação que nos acompanha a cada segundo, quer tenhamos consciência dela ou não!

Para que tudo comece a fluir em maior liberdade, é muito importante despertar a consciência de quem somos, começando a escutar a nossa voz interior, as nossas emoções, pensamentos, sensações.

Desenvolver aceitação e gratidão pelo nosso corpo físico e pela vida, ancorando o facto de que somos os seus criadores e assumindo total responsabilidade por tudo o que ela nos traz.

Tomar consciência de que somos seres essenciais e não especiais, desenvolvendo reconhecimento, aceitação e amor por todas as partes de nós, as de luz, mas especialmente as de sombra, para as podermos iluminar com a luz da consciência!

Trazendo este tema especificamente para a dança, convido a que experimente as seguintes ações de forma consciente:

Quando estiver a dançar, procure ficar presente em si mesmo, respirar e deixar o corpo expressar-se sem julgamento.

Procure conectar-se não aos pensamentos que vem, mas às sensações do corpo, permitindo-se sentir e captar tudo de uma forma ampliada através dos 5 sentidos, da sensualidade!

Através desse sentir no corpo, procure estar presente no agora, sem se deixar condicionar pelo passado ou pelo futuro! Estar no presente, vai ajudar a acalmar o ruído da mente e permitir que o corpo se entregue mais, ao sentir das emoções.

Para sentir ainda mais a presença do corpo e trazer o campo mental e emocional para perto do físico, enraíze-se á terra, imaginando que da base do seu coxis, desce um cordão que se vai ancorar no centro da terra, acompanhando-o durante toda a dança, mesmo quando se desloca pelo espaço.

Tome também consciência da sua respiração enquanto dança, sintonizando a inspiração e a expiração com os movimentos, para potenciar a libertação da energia do corpo e expressar mais dinâmica nos movimentos.

Qualquer corpo é perfeito para dançar a sua própria dança! É ao assumir a sua dança, sem querer dançar a dos demais, que encontramos a verdadeira liberdade de expressão!

E lembre-se: Não existe tempo nem idade para dançar, porque a alma é eterna!

Desta forma, dançaremos na verdadeira Liberdade de Ser!

Bibi Fernandes