Dez 20

EXPRESSO LOGO EXISTO

Poderei eu viver verdadeiramente, sem manifestar a minha energia?

Acordo. Respiro. Alimento-me. Trabalho. Durmo. E sigo para outra volta ao relógio …

Será que eu sinto que estou vivo? Ou quando penso nisso já nem sei bem o que isso quer dizer?
Será que eu me sinto apaixonado por algo? Ou fico bem com o que vou encontrando, fico satisfeito com o que a vida me traz.
Será que no meu corpo se manifestam emoções? Ou nem me lembro bem da última vez que chorei de tanto rir. Ou que me arrepiei dos pés à cabeça.
Será que eu tenho uma direção? Ou vou-me deixando andar, empurrado em todas as direções pelos acontecimentos da vida.
Será que quando me vejo ao espelho vejo brilho nos olhos? Ou vejo uma cara cansada, ou uma cara indiferente à vida?
Será que eu ando a viver? Ou ando a cumprir papéis, inconscientemente à espera que esta viagem chegue à sua paragem de destino.

Meia dúzia de perguntas (literalmente) … uma enorme onda de questões.

Ao início, ensinam-nos a sonhar, a crer que tudo é possível. A vida dá-nos toda a energia que precisamos, todos os sonhos que conseguirmos colocar dentro de nós. E damos conta que sim, que a Vida é de facto um milagre, uma janela aberta, uma oportunidade única para
estarmos num lugar incrível a fazer coisas incríveis. Mas com o tempo muitas vezes as coisas mudam. E os sonhos às vezes desaparecem, a energia diminui, o brilho nos olhos seca, a fome de viver passa, e a beleza, aquela beleza que víamos em tudo … deixamos de a conseguir ver. Deixamos de sentir a gratidão de estar aqui. E a vida leva-nos …

Entramos na carruagem de um comboio que viaja em “loop” e que pára sempre nos mesmos sítios, nas mesmas estações. Com os mesmos horários, com os mesmos passageiros, com as mesmas cores e com os mesmos cheiros. E a isso nos habituamos, ai nos deixamos estar, embalados pelos solavancos …

É uma generalização cruel. Mas infelizmente … é uma verdade muito geral.
Ou não? Eu acho que sim.

Então o que aconteceu no caminho?
O que podemos fazer para sair dessa carruagem e resgatar a nossa vida?

Primeiro temos de abrir a porta, escolher outro caminho e começar a sermos nós próprios … expressando-nos enquanto pessoas. Assumindo que temos um papel a desempenhar, uma palavra a dar à conversa. Expressar é fundamental. Expressar é VIVER. E sem expressão só há ação, não há alma. Sou completamente crente que todos temos um artista dentro de nós. Todos somos Criadores, Todos somos Inventores. Todos somos, se ousarmos Expressar. A vida precisa de Sonhos, precisa de Paixões, precisa de Emoções, precisa de Expressão. Expressar é meter cá para fora algo que é único. Algo que só nós temos, que só nós somos.

Não tenho a menor dúvida que a Vida exige que sejamos também cumpridores de tarefas. E por muito romântica que a minha visão da vida possa ser. Sei que nem tudo pode ter um brilho especial, sei que há momentos e coisas que são simplesmente para fazer. Mas ao fim do dia, a Vida não pode ser uma coisa para simplesmente fazer. Simplesmente no sentido de algo que nos desapegamos, que nos desligamos e fazemos em modo automático.
Porque claro que a vida pode ser Simples. Simplesmente fantástica. Simplesmente vivida. Com todos os altos e baixos que ela possa ter. Tudo vai depender do olhar que temos sobre as coisas.

Então vamos lá encontrar o nosso artista interior.

O nosso pintor, a nossa escritora, o nosso dançarino, a nossa ilustradora, o nosso cozinheiro, o músico, a atriz, o fotógrafo, a escultora, o
nosso(a) … Aquele que é meu e de mais ninguém. Encontra-te contigo a sós, num local que sintas ser teu e viaja junto dos teus sentidos, viaja de
mão dada com a pessoa mais importante da tua vida e descobre-te, explora-te. Perde-te sem medos … quem sabe ai te encontrarás verdadeiramente.

Encontra a tua Expressão.
Liga-te a ela. E celebra a Vida.

Ludgero Zorro