Mar 07

ENTRETENIMENTO DIGITAL – UMA BOA FORMA DE DEIXAR A VIDA PASSAR

O tempo, para a maioria de nós, deixa uma sensação de velocidade pouco controlável.

E arrisco dizer que, para muita gente, o tempo parece passar cada vez mais rápido. Num Mundo onde os estímulos são cada vez mais, cada vez mais fortes, e onde somos, até certo ponto, empurrados a saber tudo o que se passa no Mundo, torna-se cada vez mais importante saber escolher aquilo que ingerimos. Aquilo que deixamos vir do exterior, para o interior da nossa existência.

Nunca na história da existência Humana se teve acesso a tanta informação, sem se ganhar tão pouco conhecimento. Nunca na história da Humanidade, estivemos tão entretidos como na atualidade.

E de uma certa perspectiva, é fácil perceber, que andamos mais alienados e hipnotizados do que nunca. Ganhamos uma sensação de vivência através daquilo que nos entra pelos olhos e pelos ouvidos. E com isso, vemos uma necessidade básica de viver, desaparecer gradualmente. Uma fome de ser … desvanecer.

Hoje em dia, com as Redes Sociais, a NetFlix, e todas as formas de entretenimento digital que temos ao nosso dispor, é muito fácil cairmos nessas “ratoeiras”, nesses túneis em espiral, sem saber muito bem quando vamos sair do outro lado. Hoje, se não tivermos essa consciência e essa disciplina, é muito fácil fazer com que o tempo, que passa muito rápido, passe sem que com ele façamos algo por nós. Passe sem que tenhamos de facto “vivido”.

O entretenimento digital não é uma forma negativa de passar o tempo, mas como em tudo na Vida, quando é demasiado, normalmente transforma-se em algo que não é positivo para nós. Bem mais importante do que estar entretido, é fazermos pela vida. Fazermos por viver. E isso acontece fora do ecrã, longe do “swipe up”.

Viver é uma condição humana que implica interação, implica experiência, implica dedicação, implica propósito. Implica desligar a televisão, largar o telemóvel… e viver.

Muitos de nós afirmamos que gostaríamos de ter mais tempo. Mas nem todos têm a capacidade de olhar para a forma como “gastamos” o tempo que já temos. Se o fizermos de forma mais consciente, facilmente chegamos à conclusão que podemos entregar ao tempo, um propósito bem mais sagrado, do que estar simplesmente entretido. Uma função bem mais valiosa do que passar horas e horas a ver séries, tempo atrás de tempo a ver stories e reels. E no fundo vivenciar aquilo que é a vida de outras pessoas, sem que estejamos a viver a nossa vida.

Mas isso quer dizer que ver séries e ver stories é sempre mau? Claro que não. Do entretenimento digital pode vir inspiração, pode vir motivação para a ação. O que não deve acontecer é tornar o entretenimento digital a norma. O importante é não esquecer, que quanto mais nos rendemos ao entretenimento digital, mais nos rendemos ao tempo, e mais deixamos a vida passar.

Para ti, que queres ter uma vida mais rica, que queres ser mais responsável pela criação desta tua jornada, o entretenimento digital deve ser um mero momento de pausa. Para depois voltares ao ativo e seguires o teu caminho, seguires a tua paixão. Seguires com a tua Vida e fazeres o melhor que sabes dela.

Ludgero Zorro